Citação

Desafio do dia: encare-se no espelho e diga “você é linda” em voz alta


Conseguiu fazer o que o título diz? Foi difícil?

Dia desses eu estava navegando pelos feeds de blogs que recebo na caixa de entrada do meu e-mail (e você também pode receber minhas atualizações direto na sua, é só assinar os posts preenchendo seu e-mail na coluna lateral do blog :D) quando li esse post do Não Sou Exposição, falando sobre o mito da calça 38.

Acho sempre interessante como alguns padrões são incutidos na nossa cabeça tão cedo e tão massivamente, que acabamos reproduzindo-os muitas vezes sem perceber. E até hoje é o meu caso em algumas coisas, e provavelmente é o seu também.

Enquanto eu lia e refletia sobre a mistificação do manequim 36/38 passou um filminho na minha cabeça, sabe? Há uns 7 ou 8 anos atrás eu vestia 38. Você pode pensar que eu era feliz, magra, e saudável, pois com essa informação presume-se que eu tinha um corpo de proporções aceitáveis e totalmente desejáveis. Certo? ERRADO.

Pausa para esta imagem, porque Juliana Paes me representa hoje em dia:

Fonte: Não sou Exposição
Fonte: Não sou Exposição

Nessa época, eu tinha sérios problemas de saúde. Era magra, mas meus exames apontavam que eu estava bem longe de ser saudável. E mais do que isso: a minha cabeça também não era nada saudável. Eu levava uma vida muito cansativa, fazia 2 faculdades ao mesmo tempo (uma em cada extremo da cidade), me alimentava mal, e andava deprimida e cansada quase o tempo todo, esmagada numa rotina apertada e fazendo coisas que não me davam felicidade.

Levei essa vida empurrando com a barriga (que ironia de trocadilho, hahaha) até a hora em que o corpo me obrigou a parar e eu adoeci sério, de várias coisas quase ao mesmo tempo, e tive que fazer uma cirurgia. Importante dizer que nunca tive transtornos alimentares. Mas a mente cansada não ajudava o corpo a se equilibrar.

Durante o meu processo de cura (de corpo e de mente), engordei mais de 10kg. Em parte os medicamentos que tomei, e o fato de precisar me alimentar melhor. Fiquei com algum sobrepeso, mas com o tempo as coisas começaram a melhorar.

A partir do momento em que a minha mente foi melhorando, o meu corpo foi respondendo e se equilibrando também.

Hoje eu visto 44. Às vezes 46. As medidas de roupa não são bem padronizadas. E nunca estive tão saudável na minha vida. Estou dentro de uma faixa de peso boa, mas ainda sinto necessidade de perder alguns quilos para me sentir mais confortável e não ter dores nas costas, já que tenho um problema de coluna que se agrava com sobrepeso. Mas não penso em voltar a vestir 38. Depois de alguns anos, entendi que a Laiza que vestia 38 já passou. Meu corpo mudou, fiquei adulta. Apareceu peito. Apareceu (muita) bunda. Apareceu coxa. Apareceu um corpo de mulher que não havia naquela época em que eu mal tinha saído da adolescência e ainda entrava num jeans tão pequeno.

Entender que meu corpo mudou, eu cresci (e apareci) e não resumir isso a um “nossa, como eu engordei” foi um processo difícil, porém deveras libertador. Passei anos guardando uma calça 38 que eu amava e que não passava direito nem nos meus joelhos. Olhar pra ela pendurada no armário e me sentir uma lutadora de sumô por não conseguir mais entrar naquela peça era um exercício de tortura diário. Mas mesmo assim eu mantinha a danada ali, na minha vista, pra servir de martírio incentivo.

INCENTIVO PRA QUÊ, MEU DEUS? Não era incentivo. Hoje eu sei que era auto depreciação.

Por sinal, escrevi sobre esse problema que eu tinha no guarda-roupa e na cabeça aqui.

Se eu pudesse voltar no tempo e encontrar a Laiza daquela época, diria pra ela largar de ser abestada e se fazer infeliz com coisas tão pequenas. Pra ela se olhar no espelho com os olhos dela, e não com os olhos de desaprovação dos outros. Pra ela procurar ser grata e feliz pelo corpo maravilhoso que tem.

Infelizmente não posso fazer isso. Não posso contar pra jovem Laiza o que hoje eu sei, e amenizar o meu seu sofrimento.

Laiza em 2016 vestindo 44 vs. Laiza em 2009 vestindo 38...
Laiza em 2016 vestindo 44 vs. Laiza em 2009 vestindo 38…

Mas eu posso dizer isso pra você que está aí lendo esse texto do outro lado da telinha.

Você não é o número da sua calça, do seu sapato, nem o comprimento ou a cor do seu cabelo. Você não é um corpo que precisa caber numa roupa, num padrão, num estereótipo.

Você é bem mais que tudo isso, e pode transcender cada um desses números que acabam por ser meros detalhes.

Portanto, cuide bem do seu corpo, admire-o, respeite-o, ame-o, por mais difícil que seja. Seja grata por ter esse corpo que te permite fazer da sua vida uma experiência única.

Menos crítica e mais amor, por favor. Ninguém é feliz quando vê os defeitos antes de ver as qualidades em si e nos outros.

Acho muito importante deixar algumas coisas bem claras:

  • Não faço apologia à obesidade;
  • Não estou criticando quem veste 38;
  • Não estou dizendo que todo magro é doente e todo gordo é saudável nem vice versa;
  • Não estou dizendo que você precisa vestir 38 E NEM 44 pra ser feliz;
  • Não estou desmerecendo quem quer emagrecer;

Isso foi só um pouco da minha história.

E sinceramente, se eu pudesse escolher voltar a vestir 38 mas ter aquela vida e aquela cabeça, ou vestir 44 e ter a vida e a cabeça que eu tenho hoje, escolheria quem sou hoje sem nem pestanejar.

E tem muita mulher LINDA por aí se deprimindo porque hoje em dias pessoas dizem que 42 e 44 já é plus size. Como se isso fosse algo realmente horrível. POR FAVOR HEIN! Inclusive eu ainda revisito esse time. Tem dias que me sinto gorda, feia, mal, infeliz. Às vezes o falatório depreciativo dos outros enche meu saco me deixa pra baixo.

Sabe por que? Porque o amor próprio é um exercício diário. Não tem fórmula mágica, não tem pulo do gato, não tem macete. Tem dias em que você não está no seu melhor humor (nem cabelo, nem cara, nem nada), se olha no espelho e fica meio triste. Ou ouve um comentário maldoso e acaba se afetando. Isso é NORMAL. Não somos máquinas programadas para estar de bem com a vida e o mundo o tempo inteiro. Mas o que não pode é ser assim todo dia. Ou quase todo dia. O importante é mesmo nesses fatídicos momentos não esquecer que a aparência da gente muda o tempo todo, e que independente do que a gente vê no reflexo, nos amamos por quem somos.

É quase certo que no dia seguinte a gente já vai se amar um pouquinho mais ♥

Você já disse “eu te amo” pra si mesma hoje? Volte lá pro espelho 😉

P.S.: E falando em espelho, eu escrevi sobre aprender a se olhar no espelho bem aqui.

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