As diferenças entre regime e dieta

As diferenças entre regime e dieta


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Apesar de serem termos usados em um mesmo contexto, eles não são sinônimos. Para muitos, a diferença é mínima ou sequer existe. A confusão de nomes ocorre, inclusive, na área de saúde.

Ambos estão relacionados à perda de peso, saudável ou não, e às alterações no consumo alimentar, corretas ou não. O regime consiste em práticas alimentares equivocadas para perder peso. Tem duração específica (curta ou longa) e etapas a serem seguidas. São as clássicas “dietas da moda”. O termo “dieta” na verdade é usado erroneamente. O correto seria regime dos pontos, regime Dukan, regime da lua, regime paleolítico, regime detox, dentre outros. O regime caracteriza-se por orientações gerais, na grande maioria das vezes infundadas, ou que não podem ser seguidas por qualquer indivíduo, e que podem trazer prejuízos à saúde.

A dieta propriamente dita consiste em um plano alimentar elaborado por um profissional nutricionista para uma única pessoa. Nenhuma dieta é igual a outra pelo simples fato de um organismo ser diferente do outro. Patologias, hábitos alimentares, deficiências nutricionais, aspectos psicológicos e demais particularidades do paciente são considerados para prescrever uma dieta. Esta é sinônimo de plano alimentar, e também está relacionada à reeducação alimentar.

No regime, há restrições alimentares com o objetivo de emagrecer rapidamente. Em uma dieta, também há algumas restrições no consumo de alguns alimentos, porém, baseadas em sintomas clínicos, características fisiopatológicas individuais e que podem ocasionar ou agravar alguma doença. Essas restrições em uma dieta têm o objetivo de tratamento e alívio de sintomas.

O regime depende, exclusivamente de quem adere a ele, e uma dieta depende do conhecimento do profissional, da disposição do paciente e da relação nutricionista-paciente trabalhada em consultório. Em ambos a perda de peso, de fato, ocorre, mas de maneiras diferentes e com características particulares distintas. Existem inúmeras formas para perder peso, o que não quer dizer que se emagreça com qualidade.

Além do que, uma dieta específica não se destina somente para quem precisa ou deseja perder peso. Em várias doenças e fases da vida, um plano alimentar se faz necessário para tratamento ou manutenção da saúde.

Drª Ana Perdigão – Nutricionista Clínica e Saúde Mental

www.facebook.com/draanaperdigao

Dieta detox: promessas vazias

Dieta detox: promessas vazias


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Não apenas no Brasil, mas em inúmeros outros países, a dieta detox (ou dieta desintoxicante) vem ganhando adeptos, com o objetivo de perder peso e “limpar” o organismo de toxinas. A dieta, inclusive, é recomendada por alguns profissionais da saúde.

Sabe-se que a ingestão inadequada de alguns medicamentos (automedicação) e nutrientes como sal, açúcar, gorduras e álcool podem trazer prejuízos, causando distúrbios importantes ou sintomas clínicos como alterações gastrointestinais, dificuldades para dormir, flutuações de humor e dores de cabeça. O nosso corpo tenta manter o equilíbrio interno com todos os excessos (e faltas!) que recebe (ou deixa de receber). Porém, chega um momento em que o corpo emite um alerta, e… bem, surge alguma doença.

Saudável ou não, o organismo possui mecanismos fisiológicos para inativar ou se livrar de toxinas ou substâncias que estejam nos fazendo algum mal e assim manter o equilíbrio, através do sistema imunológico, dos nossos rins, fígado, pulmões e intestinos. Se você estiver doente, certamente, seus órgãos não trabalharão a “todo vapor”, de alguma forma. Recuperando-se de uma enfermidade, o organismo está pronto para as suas “atividades normais”.

Vamos voltar ao conceito da dieta detox. Consiste em uma dieta restritiva, com menor teor de calorias, onde se exclui alimentos que contenham açúcares, gorduras, glúten, entre outros. Feita por um longo tempo, ou por várias vezes, fará o nosso corpo sentir falta desses nutrientes e começará a chamar a atenção, por assim dizer.

Na realidade, não deveria ser feito nem por um curto período de tempo, pois alguns sintomas já podem ser sentidos com o corte abrupto de alguns nutrientes. Mesmo com a (inadequada) perda de peso presente e rápida (perdendo massa muscular, primeiramente), quando o indivíduo retorna à dieta normal, o corpo volta a armazenar gordura, de forma que o peso voltará ao que era antes. É como se o organismo entendesse que houve um período de privação forçada de alimentos, e a partir daí começar a armazenar gordura, como forma de compensar os “tempos difíceis” pelos quais teve de passar. É um mecanismo natural de recompensa, conhecido como “efeito sanfona”. Não importa quantas vezes houver uma perda de peso inesperada, haverá também a recompensa pelo nosso corpo.

Além do fato de que não há comprovação científica dos benefícios reais ao organismo. Lembre-se: em condições normais, nosso corpo elimina toxinas e substâncias nocivas, tranquilamente. Exceto se você estiver sob overdose, for envenenado ou exposto a radiação (detox não resolve, procure um médico!). Não serão alguns alimentos que aumentarão essa “faxina” no organismo. Até porque, a dieta “detox” praticada por muito tempo pode causar o efeito contrário: intoxicar o organismo, como o fígado.

Existe o que chamamos de radicais livres e vitaminas antioxidantes. Porém, não será a dieta detox responsável pelo “milagre da desintoxicação”. O termo é completamente errado. Uma dieta balanceada específica já tem o poder de melhorar o metabolismo e a “limpeza” no organismo, trazendo inúmeros benefícios, sem precisar submeter o corpo ao estresse nutricional. O consumo de água, por si só, ajuda a eliminar substâncias nocivas.

E para quem, saudável, exagerou no final de semana? O corpo será capaz de restabelecer seu equilíbrio em poucos dias, mesmo que sofra um pouquinho. Mas, e quem se sentiu “melhor” ao realizar a dieta por alguns dias? Isso se chama efeito placebo. Aderir à dieta pode dar a falsa impressão de “controle” sobre o que você come. Com a perda de peso (e água) rápido, mais confiante você pode ficar. Muitos estudos científicos utilizam o efeito placebo para comprovar a eficácia (ou não) de medicamentos, nutrientes, entre outros.

Lembrando ainda que, ao contrário do que se lê por ai, há contraindicações. Gestantes, lactantes e pessoas com problemas no fígado, nos rins e com distúrbios hormonais não podem nem sonhar em aderir à dieta. Não deve ser feita também por quem pratica atividade física. Uma dieta “curta” resolver seus problemas e excessos alimentares de anos é uma ilusão.

A nutrição pode e deve potencializar os efeitos “desintoxicantes” já existentes em nosso corpo. Contudo, de forma permanente.

Drª Ana Perdigão – Nutricionista Clínica e Saúde Mental

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Nutrição e saúde: entendendo as temidas calorias

Nutrição e saúde: entendendo as temidas calorias


Oi, gente! Aqui é a Laiza. Tem categoria nova no blog! 😀
Agora também vamos falar sobre nutrição e saúde. Sim, porque não adianta estar linda por fora e com a saúde caótica por dentro, né? Para isso, a Ana Perdigão, que é nutricionista e a nova colaboradora do blog, vai dar dicas de como manter uma alimentação saudável.
Mas, pra início de conversa, hoje o post é explicando sobre calorias! Chega de conversa e agora fiquem com a Ana 😉
Muito se fala sobre calorias, e, é comum atribuir a elas grande importância em uma dieta. Contudo, as pessoas em geral desconhecem seu significado e função. Sabe-se que “calorias engordam” ou que “fazem mal à saúde”. Será que é isso mesmo?

Caloria é uma unidade de medida. Ela se refere à quantidade de energia necessária para elevar em 1 ºC a temperatura de 1 ml de água. Ou também pode ser definida como o calor trocado quando a massa de 1 kg de água se eleva em 1ºC, portanto, o termo correto é quilocaloria (símbolo = kcal), e não caloria. Você, lendo estas linhas deve estar pensando: “Oi? Não entendi uma vírgula. E agora?”. Não precisa sair correndo. Explico.

As quilocalorias (atenção à denominação correta!) são o valor energético presente nos alimentos. Todos os alimentos contem quilocalorias. Alguns em maior quantidade, outros em menor quantidade. Não vivemos sem quilocalorias, pois dependemos de fontes de energia. Logo, elas não são vilãs.

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As proteínas, as gorduras e os carboidratos possuem diferentes quantidades de quilocalorias. Álcool, igualmente. Bebidas alcoólicas são calóricas, sim. Lembrando que a água, as vitaminas e os minerais não possuem quilocalorias. Estes nutrientes, estão presentes nos alimentos que possuem quilocalorias, mas eles, isolados, não são fronte de energia.

É um equívoco retirar um nutriente da sua alimentação por ele conter quilocalorias. Não há como viver de forma saudável sem gorduras e carboidratos (os “vilões” das “dietas”), por exemplo. Isso porque cada nutriente exerce uma função (ou várias) importante em nosso organismo. O nosso corpo funciona graças à energia vinda das quilocalorias e dos nutrientes que ingerimos.

O verdadeiro vilão não é esse ou aquele nutriente, ou as quilocalorias presentes nos alimentos. O que traz prejuízos à saúde é a ingestão inadequada. A quantidade de quilocalorias e nutrientes necessários varia para cada pessoa e depende de inúmeros fatores (inclusive de doenças). O mais importante em uma dieta não é a quantidade de quilocalorias ingerida, e sim a qualidade dessas quilocalorias. Para citar um exemplo: digamos que uma colher de açúcar possua 50 kcal, e, uma fruta qualquer possua a mesma quantidade de quilocalorias. Qual, do ponto de vista da qualidade, você deve ingerir?

Não se desespere e nem puxe os cabelos contando suas quilocalorias ingeridas. Deixe que o seu nutricionista se preocupe com isso, da melhor maneira.

Dúvidas e sugestões de assuntos para serem abordados, deixe nos comentários. 😉

Por: Ana Perdigão – Nutrição Clínica

Contato: anaevelyn@ymail.com